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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

A PARÁBOLA DAS 10 VIRGENS

 

PARÁBOLA DAS DEZ VIRGENS

 


“1 Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.

2 E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas.

3 As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo.

4 Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas.

5 E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram.

6 Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.

7 Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas.

8 E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam.

9 Mas as prudentes responderam, dizendo: Não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós.

10 E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta.

11 E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos.

12 E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço.

13 Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir.” Mateus 25:1-13:

Mateus neste texto nos relata a Parábola das 10 virgens. As virgens representam todos os crentes. O que significa que, na igreja, há dois tipos de crentes: O Prudente e o louco; o vencedor e o derrotado. E o que diferencia o Prudente e Vencedor, nesta parábola? É que, além da lâmpada, ele tem a lâmpada cheia de azeite (cheia do Espirito Santo). O louco e derrotado, não é cheio do Espírito Santo O outro aspecto que precisa ficar claro é que a ênfase da parábola à luz da hermenêutica, (hermenêutica na Bíblia é a arte que estuda as escrituras, o que cada palavra, frase e capítulos significam) não é a salvação do indivíduo do inferno, mas o Reino do Senhor Jesus Cristo. Tanto esta parábola como a dos talentos (também o capítulo de Mateus 25) falam acerca do Reino de Deus. Atente bem para o que diz Mateus no primeiro verso “Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo.”

Isto posto, a partir de agora, vamos explicar o significado de alguns termos desta parábola:

1- As Noivas - representam os crentes;

2-O Noivo, representa o Senhor Jesus Cristo.

3- As Virgens - o termo não deve ser visto literalmente. Todos os crentes são vistos como    Virgens diante de Deus – separados para o deleite de Deus;

4- O número 10 - Significa a plenitude da responsabilidade humana é considerado o número da perfeição humana.

(Deus criou o mundo com dez Atributos Divinos. São eles: Sabedoria, Entendimento, Conhecimento, Bondade, Severidade, Harmonia, Perseverança, Esplendor, Apego e Realeza. Assim, toda a criação é um reflexo desses dez atributos..) Por isso nós, os homens, temos 10 dedos nós pés e nas mãos. Por isso os mandamentos que Deus deu a Moisés são 10. Isso significa que essas 10 virgens englobam todos os crentes de todas as épocas;

4- Lâmpada - O que significa na Bíblia? "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra e, luz para os meus caminhos" (Salmos 119:105). A lâmpada é a Palavra de Deus. E é ela que dá ao homem o poder de "ver" o contexto no qual está inserido.

A verdade da Palavra de Deus liberta de todo engano de satanás, pois é apta para "discernir os pensamentos e intenções do coração" (Hebreus 4:12).Provérbios 20:27 diz que o espírito do homem é a lâmpada do Senhor. Essas lâmpadas que estavam com as virgens representam nosso espírito recriado. O nosso espírito é como uma lâmpada que foi acesa diante de Deus.

O texto diz que cinco das virgens eram loucas. Podemos dizer que elas eram crentes, por alguns motivos:

A Bíblia fala que elas eram todas virgens – isto nunca é colocado em dúvida, esta não é a questão principal desta Parábola. A grande questão não é se as virgens eram falsas ou verdadeiras, mas se eram loucas ou prudentes. Se fossem falsas, o Senhor teria dito. Elas tinham luz em suas lâmpadas; isto significa que elas nasceram de novo, tiveram seu espírito recriado na conversão. Por outro lado, se essa lâmpada também significa obras, quer dizer que elas tinham obras, testemunho diante de Deus; se a lâmpada significa a Palavra, quer dizer que elas tinham a Palavra consigo. (Salmo 119:105 “Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra e luz para os meus caminhos”).

Todas elas foram encontrar-se com o noivo. Se elas não fossem crentes, elas nunca iriam se encontrar com o noivo. O incrédulo não vai atrás de Cristo. É o Senhor Jesus Cristo que toma a iniciativa de amor indo de encontro com o homem perdido sem Deus.

No verso 6 “Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro.” se diz que ouviu-se um grito, que é a voz do arcanjo; é a voz da sétima trombeta do Apocalipse. E quando este arcanjo tocar, então todos vão ressuscitar. E todas elas ouviram a voz do arcanjo, o que significa que elas eram crentes. As ovelhas reconhecem a Voz do Sublime Pastor!

Por fim nos é dito que todas elas tinham óleo nas lâmpadas. O problema é que elas não tinham azeite sobrando. O Azeite nas Sagradas Escrituras simboliza O Espírito Santo.

Outra diferença: se o Senhor não tivesse demorado, as virgens loucas teriam entrado pela porta. O grande teste então foi o tempo. Há muitos crentes que vão bem na sua jornada cristã, mas logo desistem, vão perecendo pelo caminho vão se desviando.

O azeite das virgens prudentes não é compartilhado com as virgens loucas, uma vez que o relacionamento com Deus é pessoal e depende do nível de busca de cada um. Este item não pode ser obtido no último minuto.

Existe um tempo de espera onde a fé é provada. E só pode resistir a esse tempo quem tiver "quantidade suficiente" para manter sua lâmpada acesa.

“Senhor, Senhor” – No dia final, muitos dirão: "Senhor, Senhor, não profetizamos nós em Teu nome? E, em Teu nome, não expulsamos demónios? E, em Teu nome, não fizemos muitas maravilhas?" (Mateus 7:22). Mas a resposta será: "Digo-vos que não sei de onde vós sois; apartai-vos de Mim" (Lucas 13:27).

O cristão deve se manter sempre fiel à Palavra de Deus e sensível à influência do Espírito Santo. Buscar um relacionamento estreito com O Senhor Jesus e perseverar na espera pela sua volta.

 

Ainda há outro aspecto que precisamos considerar com muita seriedade diante do Senhor: quando o noivo chegou, as virgens loucas pediram azeite às prudentes que disseram não, o que isto significa? Significa que cada um de nós deve ter a medida da Unção individualmente. Se as loucas não fossem crentes, as prudentes nunca poderiam ter negado do Espírito para elas. Elas disseram: vão comprar! Ora, se a parábola estivesse falando de salvação, a salvação poderia então ser comprada com obras por exemplo, ou está à venda?

Não; a salvação é de graça (“pela Graça sois salvos mediante a fé, e isto não vem de vós é dom de Deus”). Se as virgens loucas eram descrentes, então as prudentes pecaram, porque não quiseram dar do que tinham às outras. E A Bíblia não as repreende por isso. E no verso 13 o Senhor nos manda vigiar, pois não sabemos o tempo e a hora. Descrente não vigia, ele anda gozando a vida e seus prazeres regaladamente sem nenhuma preocupação com o seu destino na era vindoura – agora aqueles que vigiam são os crentes.

Agora entendemos que todas 10 virgens são crentes e que há na Igreja os crentes loucos e os crentes prudentes. O Prudente é aquele que edifica a sua vida em segurança, sobre a Rocha – que pratica a Palavra, tem realidade e conteúdo espiritual. Aquele que está em linha com a Palavra de Deus não pode ser abalado.

E qual foi a insensatez que estas virgens cometeram?

Reino é tomado por esforço, e a Salvação é pela Graça!

Elas tinham apenas a lâmpada acesa – eram salvas da perdição do inferno -, mas não tinham azeite sobrando (No contexto do casamento, o azeite além se servir como alimento, também era usado como combustível para manter as lâmpadas acesas. O Espírito Santo de Deus, é que mantém no homem a presença de Deus ardendo como fogo (Zacarias 4:1-6).)– não eram cheias do Espírito Santo. O azeite sobrando é a qualificação para reinar com o Senhor Jesus. O azeite é algo de que temos que nos encher a cada dia, pois vai se acabando, logo precisa ser cheio e renovado constantemente. Quem é cheio do Espírito quer fazer algo na direção do Espírito Santo, é gente comprometida, é séria e quer ver algo acontecendo, pois elas sabem que o Reino é tomado por esforço, e a Salvação é pela Graça. (Mateus 11:12 “Desde os dias de João Batista até agora o Reino dos Céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele.”)

Porque as virgens prudentes não atenderam ao pedido das virgens loucas e não lhes deram azeite?



É porque há coisas que ministramos e outras que damos. O verso 7 fala que as virgens loucas, quando acordaram, queriam que as prudentes lhes dessem azeite. Mas estas mandaram-nas comprá-lo. Comprar na Bíblia, é algo cheio de significado. Na Bíblia há muitas coisas gratuitas – como a salvação -, mas há outras coisas que temos que pagar um preço para tê-las.

Podemos ministrar o batismo no Espírito Santo, mas não podemos encher ninguém do Espírito Santo; cada um é responsável por encher-se e para isto o apóstolo Paulo dá a receita em Efésios 5:18-20 “E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito; 19 Falando entre vós em salmos, e hinos, e cânticos espirituais; cantando e salmodiando ao Senhor no vosso coração; 20 Dando sempre graças por tudo a nosso Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo; 21 Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Deus.” Como vemos, este enchimento do Espírito Santo não é uma mera transferência de poder ou capacitação para obras de Deus, com uma oração impondo as mãos sobre a cabeça do indivíduo, empurrando, derrubando, soprando, lançando o “manto santo” sobre o indivíduo, com palavras mágicas, tal como temos visto no evangelicalismo moderno; nas ocorrências dos “Encontros Tremendos” onde o indivíduo entra pecador, e em três dias já sai prontinho batizado com Espírito Santo! Isto é vulgarizar a Palavra de Deus!

Sabemos que há crentes que não gostam do termo “pagar o preço”, porque dizem que tudo é de graça. Mas, a Bíblia não nos ensina que tudo é de graça. Ela nos diz que há coisas que têm um preço. Provérbios 23:23 “Compra a verdade, e não a vendas; e também a sabedoria, a instrução e o entendimento.” nos fala de coisas que devemos comprar.

Por exemplo ser um Mestre na Palavra requer tempo, oração, contemplação, estudo, pesquisa, esforço e disposição. Fala que a operação da vida e da unção tem um preço: entrar na morte. Morte é qualquer coisa que implica na suspensão dos nossos direitos legítimos e vitais. Ora, se temos direito de comer, mas abrimos mão dele para jejuar e ter unção, isso é morte. Se temos direito de dormir, de passear, e abrimos mão deles para orar, isso é morte. E quando pagamos o preço, a Vida de Deus vê.

Em Apocalipse 3:18 “Aconselho-te que de mim compres ouro provado no fogo, para que te enriqueças; e roupas brancas, para que te vistas, e não apareça a vergonha da tua nudez; e que unjas os teus olhos com colírio, para que vejas.”, na carta à igreja em Laodicéia, o Senhor nos aconselha a comprar ouro, que nos fala da natureza do caráter santo de Cristo; vestiduras brancas, que nos falam dos atos de justiça dos santos e da Santidade de Deus e colírio, para vermos, para enxergarmos as coisas de Deus, para termos discernimento e percepção espirituais. Há muitos que são naturais e só vêem o que é palpável. Ter unção e um constante jorrar de vida implica, muitas vezes, em muito choro, lágrimas, jejum, oração e perseverança. Há um preço a ser pago.

Verso 5. Todos nós iremos morrer a vida física um dia, ou seremos arrebatados (embora já tenhamos morrido com Jesus Cristo incluídos na sua morte, na cruz do calvário), assim como as virgens simbolicamente morreram quando estavam dormindo. Dormir na Bíblia pode significar duas coisas:

Apostatar-se da fé: (Romanos 13:11-14 “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé. 12 A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz. 13 Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. 14 Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências.” I Tessalonicenses 5:4-10 “Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; 5 Porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas. 6 Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos, e sejamos sóbrios; 7 Porque os que dormem, dormem de noite, e os que se embebedam, embebedam-se de noite. 8 Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestindo-nos da couraça da fé e do amor, e tendo por capacete a esperança da salvação; 9 Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo, 10 Que morreu por nós, para que, quer vigiemos, quer durmamos, vivamos juntamente com ele.”);

Morrer (I Tessalonicenses 4:13 “Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança.” e João 11:11 “Assim falou; e depois disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono.”).

Neste texto, objeto do nosso estudo, cremos que o significado aqui é morte. Porque todas, tanto as loucas como as prudentes dormiram. Se se tratasse de apostasia, teríamos que admitir que as prudentes, também se apostataram da fé. Em segundo lugar, as prudentes dormiram e não foram de forma nenhuma afetadas pelo sono. E, em terceiro lugar, o Senhor não as repreende por haverem dormido. Por tudo isso, podemos ver que o sono, aqui, não é algo negativo. Mesmo porque o centro da parábola é o verso 13, que nos manda vigiar e orar. “Ouviu-se um grito: Eis o noivo, saí ao seu encontro!” .

Quando a Sétima Trombeta tocar, aqueles que morreram em Cristo vão ressuscitar; todos, tanto os vencedores quanto os derrotados, vão ressuscitar. Todas as virgens se levantaram, lembra-se? Isto significa que essa parábola fala da volta do Senhor Jesus.

O Verso 10 nos diz que, enquanto elas foram comprar azeite, o noivo chegou e as virgens que estavam apercebidas, que tinham azeite sobrando em suas lâmpadas, entraram para as bodas e as portas foram fechadas. Fechar a porta não significa que a pessoa perdeu a salvação; significa, sim, que o tempo para qualificação, enchendo-se do Espírito Santo, é hoje. É agora e não depois que o Senhor Jesus voltar. Em II Coríntios 5:10 “Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.” nos é dito que todos os crentes comparecerão perante o Tribunal de Cristo. Este julgamento não é para salvação ou perdição eterna, mas para recebermos ou não o galardão de - Reinar com Cristo no Reino Milenar.

Qual a diferença entre as Virgens Loucas das Virgens Prudentes?

A grande diferença entre as virgens loucas e as virgens prudentes, além da quantidade de Azeite que elas possuem em suas lâmpadas é a seguinte: Enquanto as virgens loucas vão dormir em berço esplêndido; As Virgens Prudentes estão alertas, vigilantes, como o Coração velando no Noivo, Cantares 5:2 “Eu dormia, mas o meu coração velava; e eis a voz do meu amado que está batendo: abre-me, minha irmã, meu amor, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos das gotas da noite.” Por isto, registramos aqui um alerta do apóstolo Paulo na Carta aos Efésios, 5:14-17 “Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. 15 Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, 16 Remindo o tempo; porquanto os dias são maus. 17 Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.”

Verso 11. Mais tarde, chegaram as virgens néscias, clamando: “Senhor, Senhor abre-nos a porta!” Mas Ele respondeu: “Na verdade vos digo que não vos conheço”. O conhecer deste contexto é diferente de um simples conhecer; é algo mais intenso, mais profundo, mais íntimo. A Bíblia usa dois termos gregos para a palavra conhecer: gnosko (conhecimento objetivo, mental, da alma) e oido (conhecimento subjetivo, espiritual, mais intenso). A Bíblia muitas vezes, chama o ato de conhecer. João 1:26,31, diz que João não conhecia a Jesus, mas é claro que ele o conhecia. Eles eram primos. João sabia quem era Jesus, o filho de Maria, mas não sabia quem era Jesus o Filho de Deus, para o que seria preciso especial revelação – mais que gnosko, seria preciso oido.

Quando o Senhor Jesus disse que não conhecia aquelas virgens loucas, será que Ele estava dizendo que não sabia quem eram elas? Claro que não, porque Deus conhece toda a gente no mundo. Ele é Onisciente, conhecedor de todas as coisas. Um clássico exemplo disto está no livro de I Samuel no capítulo 3. Samuel servia ao Senhor perante o Sacerdote Elí, num tempo de grande apostasia e falta de atividade profética, esta era a característica dos dias de Eli.

Vemos neste texto que o jovem Samuel servia o Senhor, porém Samuel não conhecia o Senhor. Ora, se Samuel servia ao Senhor, ele sabia quem era o Senhor. É como muitos crentes, que servem ao Senhor, porém não o conhecem na intimidade, em realidade e em espírito. O conhecimento do Senhor nos transforma, nos muda e nos conquista. A salvação é uma questão de conhecermos a Deus, é uma Porta dimensional que se nos abre para percorrermos O Caminho, mas o Reino é uma questão de Deus nos conhecer.

Para encerrarmos esta parábola, precisamos ter clareza de que, para sermos vencedores, não é termos apenas a lâmpada acesa. É preciso ter azeite sobrando na vasilha. As virgens não foram julgadas por algo que fizeram ou deixaram de fazer. A grande questão não eram as obras, muitos dos espíritas na sua ignorância fazem muito mais obras do que o povo evangélico, pensando que com isto ganharão a salvação. Apesar das obras serem importantes, frutos de um coração convertido em fé. A grande questão era se estavam ou não cheias do Espírito Santo, com azeite derramando em suas candeias. Eis aí porque nós somos tão radicais quanto à necessidade de estar cheio do Espírito Santo. É que não há como ser vencedor sem ser cheio do Espírito Santo. Sem estar cheio do azeite do Espírito Santo ninguém vai ser arrebatado.

No arrebatamento vai ser apenas para o crente vencedor. Nem todos os crentes vão ser arrebatados. Não basta estar com a vida correta e irrepreensível – até porque há muitos não-crentes que têm uma vida mais correta do que muitos de nós. É preciso ter algo mais – é preciso ter algo que o mundo não tem.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

O PODER DO PERDÃO - E. J. WAGGONER

 

O PODER DO PERDÃO!

E. J. Waggoner

 


 

"E eis que Lhe trouxeram um paralítico deitado num leito. Vendo-lhes a fé, Jesus disse ao paralítico: Tem bom ânimo, filho; estão perdoados os teus pecados. Mas alguns escribas diziam consigo: Este blasfema. Jesus, porém, conhecendo-lhes os pensamentos, disse: Por que cogitais o mal em vossos corações? Pois qual é mais fácil, dizer: Estão perdoados os teus pecados, ou dizer: Levanta-te, e anda? Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra autoridade para perdoar pecados disse então ao paralítico: Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa. E, levantando-se, partiu para sua casa. Vendo isto, as multidões, possuídas de temor, glorificaram a Deus, que dera tal autoridade aos homens." Mateus 9:2-8.

Uma das expressões mais comuns de ser ouvida entre professos cristãos quando falando de coisas religiosas é esta: "Posso entender e crer que Deus perdoará o pecado, mas é difícil para mim crer que Ele pode guardar-me de pecar". Tal pessoa precisa ainda aprender muito do que significa o perdoar Deus os pecados. É verdade que pessoas que falam desse modo têm frequentemente uma medida de paz ao crerem que Deus perdoou, ou perdoa, os seus pecados; mas devido à falha em assegurar-se do poder do perdão, privam-se de muitas bênçãos que poderiam desfrutar.

Tendo em mente a declaração relativa aos milagres de Cristo, de que "foram registados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome" (João 20:31), estudemos o milagre diante de nós. Os escribas não criam que Jesus podia perdoar pecado. A fim de mostrar que tinha poder para perdoar pecados, Ele curou o homem paralítico. Esse milagre foi operado para o expresso propósito de ilustrar a obra de perdão do pecado e demonstrar o seu poder. Jesus declarou ao homem paralítico: "Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa" a fim de que eles, e nós, conhecêssemos o Seu poder para perdoar o pecado. Portanto, o poder revelado na cura daquele homem é o poder concedido no perdão do pecado.

Notem particularmente que o efeito das palavras de Jesus continuou após terem sido pronunciadas. Elas produziram uma mudança no homem, e essa mudança foi permanente. O mesmo deve dar-se no perdão do peca­do. A ideia comum é que quando Deus perdoa o pecado, a mudança se dá nEle, e não no homem. Pensa-se que Deus simplesmente deixa de manter algo contra aquele que pecou. Mas isto implica em que Deus tinha alguma mágoa contra o homem, o que não é o caso. Deus não é um homem; Ele não abriga inimizade, nem alimenta sen­timentos de vingança. Não é devido a Deus ter um sentimento irado no coração contra um pecador que pede perdão, mas devido a que o pecador tem algo no coração. Deus é todo certo e o homem todo errado; portanto, Deus perdoa o homem para que este também fique bem.

Quando Jesus, ilustrando o perdão do pecado, declarou ao homem: "Levanta-te, toma o teu leito, e vai para tua casa", esse levantou-se e foi para casa. O poder que havia nas palavras de Jesus ergueram-no e fizeram-no caminhar. Esse poder permaneceu nele, e na força que lhe foi concedida ao ser-lhe removida a paralisia é que dali em diante caminhou, desde, logicamente, que mantivesse a fé. Isso é ilustrado pelo salmista quando declara: "Esperei confiantemente pelo Senhor; Ele Se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro. Tirou-me de um poço de perdição, dum tremedal de lama; colocou-me os pés sobre uma rocha e me firmou os passos".

Há vida nas palavras de Deus. Jesus declarou: "As palavras que Eu vos tenho dito, são espírito e são vida". João 6:63. A palavra recebida em fé traz o Espírito e a vida de Deus para a alma. Assim, quando a alma penitente ouve as palavras: "Tem bom ânimo, filho; os teus pecados estão perdoados", e acata essas palavras como as palavras vivas do Deus vivo, ele é um homem diferente, porque uma nova vida nele se iniciou. É o po­der do perdão de Deus, e isso somente o guarda de pecar. Se ele prossegue em pecado após receber o perdão, é devido a não ter apreendido a plenitude da bênção que lhe foi dada no perdão de seus pecados.

No caso diante de nós, o homem recebeu nova vida; sua condição de paralisia era simplesmente o desgaste de sua vida natural. Ele estava parcialmente morto. As palavras de Cristo concederam-lhe novo vigor. Mas essa nova vida transmitida ao seu corpo, que o capacitou a caminhar, era somente uma ilustração, tanto para ele quanto para os escribas, da vida invisível que de Deus recebera através das palavras: "estão perdoados os teus pecados", as quais tornaram-no uma nova criatura em Cristo.

Com esta ilustração simples e clara perante nós, podemos entender algumas das palavras do apóstolo Paulo, que doutro modo são "difíceis de entender". Primeiramente, leiamos Colossenses 1:12-14: "Dando graças ao PAI que vos fez idôneos à parte que vos cabe da herança dos santos na luz. Ele nos libertou do império das tre­vas e nos transportou para o reino do Filho do Seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados".  (Ver a mesma declaração com respeito à redenção mediante Cristo em I Pedro 1:18,19 e Apocalipse 5:9).

Assinalem dois pontos temos redenção mediante o sangue de Cristo, e essa redenção é o perdão dos pecados. Mas sangue é vida. Ver Gênesis 9:4; Levítico 17:13,14. Portanto, Colossenses 1:14 realmente nos diz que temos redenção mediante a vida de Cristo. Mas não dizem as Escrituras que somos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho? Sim, e isso é exatamente o que está sendo ensinado aqui. Cristo "a Si mesmo Se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniquidade". Tito 2:14. Ele "Se entregou a Si mesmo pelos nossos pecados". Gálatas 1:4. Ao entregar-Se, Ele ofereceu Sua vida. Ao derramar o Seu sangue, derramou a Sua vida. Mas ao entregar a vida, Ele no-la oferece. Essa vida é justificação, a perfeita justiça de Deus, de modo que quando a re­cebemos, somos feitos "justiça de Deus nEle". É o receber a vida de Cristo, ao sermos batizados em Sua morte, que nos reconcilia com Deus. É assim que nos revestimos "do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão", "segundo a imagem dAquele que o criou". Efésios 4:24; Colossenses 3:10.

Agora podemos ler Romanos 3:23-25, e descobrimos que não é assim tão difícil: "Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus", sendo justificados [ou seja, tornados justos, ou praticantes da lei] gratuitamente, por Sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus; a quem Deus propôs, no Seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a Sua justiça, por ter Deus, na Sua tolerância, deixado impunes os pecados anteri­ormente cometidos".

Todos pecaram. A vida inteira tem sido de pecado. Mesmo os pensamentos têm sido maus. Marcos 7:21. E ter mentalidade carnal representa morte. Portanto, a vida de pecado é uma vida de morte. Se a alma não for livrada disso, findará em morte eterna. Não há poder no homem para obter a justificação da santa lei de Deus; portanto Deus, em Sua misericórdia, coloca Sua própria justiça sobre todos quantos creem. Ele nos torna justos como um dom gratuito mediante as riquezas de Sua graça. Isso faz por Suas palavras, pois declara Sua justiça em e sobre todos os que têm fé no sangue de Cristo, no qual jaz a justiça de Deus, "porquanto nEle habita corporalmente toda a plenitude da Divindade". Colossenses 2:9. E esse declarar ou pronunciar a justiça de Deus sobre nós é a remissão ou remoção do pecado. Assim Deus remove a vida pecaminosa colocando Sua própria vida justa no lugar. E é este o poder do perdão do pecado. É o "poder de uma vida infinita".

Esse é o começo da vida cristã. É o receber a vida de Deus pela fé. Como prossegue? Tal como começou. "Ora, como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nEle". Colossenses 2:6. Porque "o justo viverá pela fé". O segredo de viver a vida cristã é simplesmente o de apegar-se à vida que, recebida no começo, perdoa o pecado.

Deus perdoa o pecado removendo-o. Ele justifica o ímpio tornando-o santo. Ele reconcilia o pecador rebelde consigo, retirando a sua rebelião e tornando-o um súdito leal e obediente à lei.

Ás vezes é dito: "É difícil compreender como podemos ter a vida de Deus como um fato real; não pode ser real, pois é pela fé que a possuímos". Também foi pela fé que o pobre paralítico recebeu nova vida e vigor; mas foi sua força menos real? Não se tratou de um fato real o ter recebido força? "Não dá para entender?" Logi­camente não, pois é uma manifestação do "amor de Deus que excede todo o entendimento". Mas podemos crer nisso e reconhecer o fato, e então teremos uma vida eterna durante a qual estudar a maravilha de tal ciência. Leiam vez após vez a história da cura do homem paralítico, e meditem a respeito até tornar-se-lhes uma realidade viva, e lembrem-se, então, que  "estes foram registados para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em Seu nome".