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segunda-feira, 15 de junho de 2015

A BESTA E A SUA IMAGEM

 

 



“Então vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, mas falava como dragão.” Apocalipse 13:11

Chifres, em Daniel e Apocalipse, são símbolos de poder governamental. Esta besta de dois chifres como de cordeiro usa seu poder governamental de uma maneira gentil, quase cristã. Os chifres não têm coroas como o grande dragão vermelho (Romã pagã) e a besta com corpo de leopardo (Roma papal). Isso indica que não haverá nem papa, nem rei, mas um poder democrático. O fato de ter dois chifres, neste caso, pode ser uma alusão às duas características principais dos Estados Unidos: a liberdade civil e a liberdade religiosa.

Há três poderes religiosos no mundo.

1-   O paganismo abrange todas as nações não cristãs, o que compreende mais da metade da população da Terra.

2-    O catolicismo pertence a nações que compõem uma grande parte da cristandade e

3-   O protestantismo é outro grande poder religioso.

A profecia fala sobre uma nação que representa um forte poder religioso, que não é nem o paganismo nem o cristianismo, e que é representado por uma besta com dois chifres e que emerge da Terra.

Um governo fala por meio de suas leis. De acordo com esta profecia, podemos estar preparados para enfrentar perseguições. O dragão foi um perseguidor implacável da igreja. O leopardo, que veio a seguir, também foi um poder perseguidor que ceifou a vida de milhões de cristãos durante os 1.260 anos. Quando esta besta fala como um dragão, isso quer dizer que sua natureza muda de cordeiro para dragão, e que ela faz o mesmo tipo de obras do dragão que veio antes dela.

A “fala” da nação são os atos de suas autoridades legislativas e judiciárias. Quais serão os atos dos Estados Unidos através de seus dois órgãos – legislativo e judiciário – que representarão a voz do dragão? Antes de tudo, tenhamos em vista que, em outros textos do Apocalipse, a besta semelhante a cordeiro é identificada como o “falso profeta” da boca do falso profeta saíram três espíritos imundos, semelhantes a rãs.

(Ap 16:13 “E da boca do dragão, e da boca da besta, e da boca do falso profeta vi sair três espíritos imundos, semelhantes a rãs.

Ap19:20  “E a besta foi presa, e com ela o falso profeta, que diante dela fizera os sinais, com que enganou os que receberam o sinal da besta, e adoraram a sua imagem. Estes dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre”.

Ap 20:10 “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre”).

E um falso profeta, segundo as Sagradas Escrituras, tem a pretensão de falar e ensinar matéria de religião em nome de Deus, quando em verdade sua mensagem é falsa. É em matéria de religião, portanto, que os Estados Unidos falarão, futuramente, “como o dragão”, através de suas autoridades legislativas e judiciárias.

“Exercia toda a autoridade da primeira besta na sua presença, e fazia que a terra e os que nela habitavam adorassem a primeira besta, cuja chaga mortal fora curada.” Apocalipse 13:12

A primeira besta da visão é o papado. Portanto, a autoridade que a besta de dois chifres irá exercer é o poder religioso arbitrário sobre as consciências. Chegará a ponto de exercer o poder perseguidor do papado contra todos quantos não se puserem em harmonia com seus ensinos em matéria de religião. E esse poder opressor será exercido pelos Estados Unidos na presença do papado.

Como pode tal imagem ser formada nos EUA? Se as igrejas protestantes se revestissem de poder para definir e punir a heresia, para impor seus dogmas com as penas da lei civil. Não seria isto uma representação exacta do papado durante os dias da sua supremacia?

Se as igrejas formarem uma organização eclesiástica; se o governo legalizar essa organização e lhe der poder (poder que não terá sem que o governo lho conceda) para impor ao povo dogmas que as diferentes denominações podem adoptar como base da união- que temos nós? Justamente o que a profecia representa uma imagem à besta papal, dotada de vida pela besta de duas pontas, para falar e agir com poder.

A profecia anuncia aqui a união dos Estados Unidos, como nação protestante, com o papado romano. O tempo se encarregará dessa união. Não haverá como deter o poder cada vez mais crescente do catolicismo nos Estados Unidos. Uma nação capaz de fazer com que “todas” as pessoas façam alguma coisa – com exceção unicamente dos seguidores de Deus – tem de ser necessariamente um país poderoso, um líder mundial.

A declaração de que “a terra e os que nela habitavam” deverão adorar a primeira besta indica que a autoridade desta nação deve ser exercida pela imposição de alguma observância de natureza religiosa em homenagem ao papado. Somente em flagrante violação das garantias constitucionais de liberdade religiosa da nação norte-americana poderá qualquer observância religiosa ser imposta pela autoridade civil. Mas a incoerência desse procedimento está contida no símbolo profético. Afinal, não é a besta semelhante ao cordeiro que fala como dragão?

Assim é que a nação norte-americana quebrará logo a barreira constitucional que diz respeito à liberdade religiosa, para exaltar o papado e perseguir os verdadeiros seguidores de Cristo. Leis serão promulgadas pelo Congresso norte-americano em exaltação do papado e seus dogmas.

O Congresso e o presidente provavelmente não decretarão a legislação inicial com o intuito de atingir a minoria que guarda os mandamentos de Deus, do mesmo jeito que Nabucodonosor não ergueu sua imagem de ouro com o propósito de lançar na fornalha os três amigos de Daniel. O rei até mesmo concedeu àqueles homens a oportunidade de modificarem sua postura. Porém, quando os três jovens hebreus responderam bravamente: “Não serviremos a teus deuses, nem adoraremos a imagem de ouro que levantaste”, a ira do rei não conheceu limites (Dn 3:18).

 “E fez grandes sinais, de maneira que até fogo fazia descer do céu à terra, à vista dos homens.” Apocalipse 13:13:

Em Apocalipse 16:13 e 14 é enfatizado que da boca do falso profeta, o protestantismo apostatado, como também da boca do dragão e da boca da besta, saem “espíritos imundos” ou “espíritos de demónios que fazem prodígios”. Em Apocalipse 19:20, é dito que o falso profeta “fizera os sinais, com que enganou...” Assim, os “grandes sinais” incluindo até “fogo descer do céu”, são obra exclusiva de demônios por meio da besta que subiu “da terra”, cujo objetivo é enganar as pessoas. Trata-se, portanto, de um poder sobrenatural que opera sob o controle de demónios enganadores.

Que poder é esse? O espiritismo. Basta que a besta de dois chifres fale “como o dragão” – Satanás – para que nos certifiquemos de que todos os seus atos, que cumprem a profecia, sejam atos do próprio dragão e seus demônios expulsos do Céu.

Verificou-se no Jardim do Éden a primeira sessão espírita havida na Terra. A serpente era o médium e o espírito que por ela atuara era Satanás. Não era possível que um espírito de morto atuasse através do animal porque ninguém ainda havia morrido na Terra. Porém, em Apocalipse 12:9 temos a certeza de que Satanás foi o agente enganador invisível.

“Por causa dos sinais que lhe foi permitido fazer na presença da besta, enganava os que habitavam na terra, e dizia-lhes que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia.” Apocalipse 13:14

A imagem da besta deverá ser feita pela besta de “dois chifres semelhantes aos de um cordeiro” – os Estados Unidos. O fato de o versículo seguinte (15) dizer que a “imagem da besta” ao ser feita falará e matará é evidência de que não se trata, como alguns entendem, de uma imagem do culto do catolicismo.

Segundo Apocalipse 15:2, a “imagem da besta” é um poder contra o qual sairão vitoriosos os que estarão afinal no mar de vidro, significando que, para saírem vitoriosos, terão que lutar contra ele. Trata-se, portanto, a “imagem da besta” a ser formada pelos Estados Unidos verdadeiramente de um poder perseguidor vindo da união da Igreja com o Estado.

Segundo a profecia, a “imagem da besta” será realizada nos Estados Unidos como uma homenagem a Roma, em virtude de se propor exaltar o “sinal da besta” – o domingo – por uma lei constitucional. Assim, o protestantismo apostatado e o catolicismo conjugam suas forças num desmedido esforço marchando juntos para a consecução da “imagem da besta” em homenagem ao papado romano.

“Foi-lhe concedido também que desse fôlego à imagem da besta, para que ela falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta.” Apocalipse 13:15

Como a “imagem da besta” é a união entre a Igreja e o Estado, em que a Igreja faz do Estado o seu servo, a Igreja terá o poder para falar e o Estado, o dever de executar o que ela fala. Ou podemos dizer também que o Estado falará não mais como um Estado civil livre, mas como um Estado religioso opressor que é a “imagem da besta”. É isto o que quer dizer: “E foi-lhe (ao Estado pelo dragão) concedido também que desse fôlego à imagem da besta, para que ela falasse”, e falasse como dragão.

Sobre isto a profecia é muito evidente. A “imagem da besta”, revestida do poder da própria nação, falará contra os que se lhe oporem, isto é, contra aqueles que protestarão contra a união da Igreja e Estado. Sua fala contra eles será de morte, dada a fidelidade deles aos mandamentos de Deus e a recusa da aceitação da “imagem da besta” e de suas imposições.

Mas nenhum dos servos de Deus há de morrer pelas sentenças da “imagem da besta”. Deus os protegerá de modo a não lhes cair um só fio de cabelo. Serão protegidos pelas legiões de santos anjos celestiais, pelo que não será executada contra eles a sentença de morte em razão da lealdade que manifestam à lei de Deus e ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. Eles, reza a profecia, sairão “vitoriosos da besta, e da sua imagem” (Ap 15:2). Esse futuro tempo será para eles a “angústia de Jacó” e não morte de Jacó, pois este não morreu em sua angústia.

“E fez que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, lhes fosse posto um sinal na mão direita, ou na testa,” Apocalipse 13:16

“Para que ninguém pudesse comprar ou vender, senão aquele que tivesse o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome. Apocalipse 13:17

Em harmonia com o exposto acima, o “sinal da besta” é o sinal do papado, que é a “besta”. Portanto, como o papado é um poder religioso, seu sinal deve ser necessariamente uma instituição religiosa sua por meio da qual pretenda ser reconhecido no mundo como autoridade suprema.

O apóstolo Paulo descreve o papado, na pessoa do papa, como “homem do pecado” que se arroga o direito de supremacia “contra tudo o que se chama Deus” ou revela o nome de Deus, “se adora” e se assenta “no templo de Deus”, a igreja, “querendo parecer Deus” (2Ts 2:3, 4). Desse modo, pretende o papado destronar a Deus e ser olhado por toda a igreja como autoridade em lugar de Deus e acima de Deus, pois o apóstolo revela que ele se exalta “contra tudo o que se chama Deus”.

Quando um poder pretende ter derrubado outro poder, trata imediatamente de modificar a lei daquele a quem destronou, por meio da qual ele exercia a sua autoridade. Estabelece então outra lei ou Constituição que revele a sua autoridade como novo soberano vencedor. E foi precisamente isso que o papado procurou realizar para exaltar a si mesmo acima de Deus, como usurpador dos direitos de Deus.

Referindo-se às suas pretensões, o profeta Daniel menciona três coisas que o papado fará ao colocar-se acima de Deus:

1) “Proferirá palavras contra o Altíssimo.”

2) “Destruirá os santos do Altíssimo.”

3) “Cuidará em mudar os tempos e a lei” (Dn 7:25).

Analise a lógica profética sobre um poder usurpador:

1) Fala contra o poder que derrubou.

2) Persegue e elimina os súditos do poder derrubado, se não simpatizarem com a nova ordem.

3) Muda a lei ou a Constituição do poder vencido. E não foi nada mais do que isso que o papado fez em relação a Deus.

Dos três pontos, porém, o que a profecia mais destaca é o que trata da lei em que é dito que o papado cuidará em mudar os tempos e a lei. A lei que o papado cuidaria em mudar não pode ser outra senão a lei de Deus. Pois jamais poderia ele exercer o despotismo religioso e colocar-se acima de Deus a menos que alterasse a lei divina, afastando dela a autoridade de Deus. Enquanto Daniel profetizara que o papado cuidaria em mudar a lei de Deus, nós hoje vemos a profecia cumprida.

Assim o cristianismo tem duas leis:

1-   A lei original, escrita pelo dedo do Criador,

2-   E a lei adulterada pelo papado.

A lei de Deus, que é a expressão do Seu próprio caráter, requer a obediência de Seus fiéis seguidores.

 A lei papal, que emana de Roma, exige fidelidade à vontade do papa.

Ambos, o Deus do Céu e o deus de Roma exigem obediência às suas leis. A lei a que os homens obedecem revela o Deus que eles adoram e servem.

Para que Deus não continuasse mais a reinar na Terra e sim o papado, era imprescindível que este poder afastasse da lei de Deus o preceito que expressa a Sua suprema autoridade e o substituísse por outro que revelasse, na lei, a suprema autoridade papal. E, na lei de Deus, o preceito que expressa a Sua autoridade como legislador e soberano nos Céus e na Terra é o quarto mandamento. Inquestionavelmente, o quarto mandamento, que ordena a santificação do sábado do sétimo dia, contém, por suas próprias expressões, a assinatura de Deus como legislador do Decálogo.

Todo homem que aceita o sábado como dia de repouso divino e o observa conforme a ordenança do quarto mandamento, homenageia a Deus como Criador e O reverencia como seu Deus a quem unicamente adora e serve na Terra.

Para que o papado pudesse colocar-se acima de Deus e o seu pontífice pretendesse ser deus na Terra, é evidente que deveria abolir especialmente o quarto mandamento que ordena a santificação do sábado do sétimo dia e apresenta a Deus como Criador, e substituí-lo por outro dia de repouso semanal que designasse, não mais ao Criador como legislador da lei e supremo Deus nos Céus e na Terra, mas sim ao papa ou ao papado como “deus deste mundo” ou substituto de Deus entronizado em Roma.

E, posto que a Bíblia chamada católica, a Vulgata, conserve intacto o quarto mandamento ordenando o repouso do sétimo dia, temos nos catecismos autorizados da Igreja Católica uma lei, neles denominada de lei de Deus, em que o dia do repouso semanal original não é mais apresentado como dia de repouso. O primeiro dia da semana é definido nos catecismos como dia de repouso substituto do sábado do sétimo dia. E essa mudança do dia de repouso é expressamente confessada por autoridades católicas como obra real do papado em evidência de sua autoridade.

Na transferência do repouso semanal do sábado do sétimo dia para o primeiro dia da semana, o papado não fez nada mais nem menos do que substituir o sinal da autoridade suprema de Deus pelo sinal de sua própria autoridade como um falso deus sobre a Terra. Daí o domingo, na lei modificada do catecismo católico, ser o sinal do papado e como tal o “sinal da besta”.

É bom repetir que a “besta” é o papado e que a “imagem da besta” são os Estados Unidos. Agora tudo está claro diante de nós. Ao ser alterada a Constituição norte-americana e o protestantismo apostatado tornar-se religião oficial do Estado, então a igreja obrigará o Estado a impor pela lei o “sinal da besta” papal, isto é, a observância obrigatória do domingo.

Perceba que o movimento do protestantismo norte-americano visa ao mundo inteiro. Nisso vemos o cumprimento da profecia, pois reza ela que a besta de dois chifres induzirá a “todos os que habitam sobre a terra” a fazer uma “imagem à besta” pela exaltação do seu sinal.

Para a “imagem da besta” será indiferente estar o sinal na mão direita ou na testa; o que lhe importa é que todos ostentem a marca da apostasia papal.

A mão direita é a mão da ação e a grande massa da nação submeter-se-á à imposição do repouso obrigatório do domingo simplesmente por consideração de comodidade ou conveniência pessoal, sem com isso reconhecer nenhum fundamento religioso, mas dando, desse modo, indiretamente, o seu apoio a uma instituição religiosa e aceitando implicitamente a autoridade da besta imposta por sua imagem. Esses receberão o sinal na sua mão direita com a qual, indiretamente, apoiam as pretensões da besta e sua imagem.

A outra classe será constituída pelos que espontaneamente se hão de submeter às suas imposições, mas pelo coração e pelo entendimento, crendo estar servindo e apoiando uma causa justa. Estes estarão identificados com a doutrina e por ela com o caráter da besta, tanto pelo coração como pela inteligência, e terão o sinal em suas testas.

Portanto, por convicção ou não, todos serão obrigados, pelo protestantismo e Estado irmanados, a receber o “sinal da besta”. Quando tudo isso suceder, em breve, na América protestante agora livre ficará assentado com toda a evidência que o ponto característico especial da besta e de sua imagem é a violação dos mandamentos de Deus.

Os protestantes estão abrindo a porta para o papado a fim de readquirir na América protestante a supremacia que perderam no Velho Mundo.

Os cristãos das gerações passadas observaram o domingo supondo que em assim fazendo estavam a guardar o sábado bíblico; e hoje existem verdadeiros cristãos em todas as igrejas, que crêem sinceramente ser o domingo o dia de repouso divinamente instituído. Deus aceita a sinceridade de propósito de tais pessoas e sua integridade.

Quando, porém, a observância do domingo for imposta por lei, e o mundo for esclarecido relativamente à obrigação do verdadeiro sábado, quem então transgredir o mandamento de Deus para obedecer a um preceito que não tem maior autoridade que a de Roma, honrará desta maneira ao papado mais do que a Deus. Prestará homenagem a Roma e ao poder que impõe a instituição que Roma ordenou. Adorará a besta e a sua imagem.

Ao rejeitarem os homens a instituição que Deus declarou ser o sinal de Sua autoridade, e honrarem em seu lugar a que Roma escolheu como sinal de sua supremacia, aceitarão, de fato, o sinal de fidelidade para com Roma – “o sinal da besta”. E somente depois que esta situação estiver plenamente exposta perante o povo, e este seja levado a optar entre os mandamentos de Deus e os dos homens, é que, então, aqueles que continuam a transgredir hão de receber “o sinal da besta”.

Mas ninguém deverá sofrer a ira de Deus antes que a verdade se tenha apresentado à consciência, e haja sido rejeitada. Há muitos que nunca tiveram oportunidade de ouvir as verdades especiais para este tempo. A obrigatoriedade do quarto mandamento nunca lhes foi apresentada em sua verdadeira luz. Aquele que lê todos os corações e prova todos os intuitos, não deixará que pessoa alguma que deseje o conhecimento da verdade seja enganada quanto ao desfecho da controvérsia. O decreto não será imposto ao povo cegamente. Cada qual receberá luz bastante para tomar inteligentemente a sua decisão.

Temos assim que “o sinal da besta” e o sinal de Deus só serão impostos quando o mundo for logo esclarecido de toda esta questão, como se acha predito em Apocalipse:

1 E depois destas coisas vi descer do céu outro anjo, que tinha grande poder, e a terra foi iluminada com a sua glória.

2 E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilónia, e se tornou morada de demónios, e covil de todo espírito imundo, e esconderijo de toda ave imunda e odiável.

3 Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição, e os reis da terra se prostituíram com ela; e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias.

4 E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas. Apocalipse 18:1-4.

quarta-feira, 25 de março de 2015

MAIS PENSAMENTOS SOBRE O CARÁCTER DE DEUS - A BONDADE DE DEUS DEMONSTRADA NO FOGO SOBRE O MONTE CARMELO

 

MAIS PENSAMENTOS

SOBRE O

CARÁCTER DE DEUS

A BONDADE DE DEUS DEMONSTRADA NO FOGO SOBRE O MONTE CARMELO

f.t. Wright

Monte Carmelo

 

Vamos abrir em Actos do Apóstolos pág 36 e aqui está o registo o modo como os discípulos passaram o seu tempo esperando o derramamento da chuva temporã. Diz que “Ao esperarem os discípulos pelo cumprimento da promessa, humilharam o coração em verdadeiro arrependimento e confessaram sua incredulidade.” Precisamos compreender o que é na realidade o arrependimento, e como isto é produzido no indivíduo. Vamos a Romanos “:1-4: “Portanto és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo.

“E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem.

“E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?

“Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?”

Quero dar ênfase ao ponto que é a bondade de Deus que leva ao arrependimento. O arrependimento é um passo vital no modo como alcançar justiça eterna. O primeiro passo é o conhecimento. Devemos conhecer a Palavra de Deus, a lei de Deus, nossa grande necessidade pessoal, o poder de Cristo para salvar o pecador, e a Sua capacidade para nos proteger do pecado. Isto levar-nos-á à profunda convicção do pecado. Vemo-nos tal como somos exactamente, odiamo-nos a nós mesmos por causa daquilo que somos, e desejamos ser tal qual o Salvador. Somos assim levados ao dom do arrependimento. Lembrai que, arrependimento é dom de Deus. Não é algo que podereis gerar por vós mesmos.

Por isso, Paulo diz que a bondade de Deus leva ao arrependimento. Portanto, não é a severidade de Deus; não é a punição imposta pelo pecado; mas é a bondade de Deus, que leva ao arrependimento. Esta é a razão pela qual durante as sete últimas pragas, os sofrimentos dos ímpios não os leva ao arrependimento.

“E os homens foram abrasados com grandes calores, e blasfemaram o nome de Deus, que tem poder sobre estas pragas; e não se arrependeram para Lhe darem glória.

“E por causa das suas dores, e por causa das chagas, blasfemaram do Deus do céu; e não se arrependeram das suas obras”. Apocalipse 16:9, 11.

Este será o mais intenso sofrimento jamais conhecido pelos homens. Portanto, se o sofrimento produzisse arrependimento, certamente seria produzido nesta altura, mas em vez disso, os homens tornam-se cada vez mais rebeldes. Quando os homens mordem as suas línguas de dor estão realmente sofrendo. Isto descreve a dor extrema, mas não produzirá arrependimento.

A punição poderá parecer que produz arrependimento, mas de facto não produzirá. Produzirá apenas uma obediência forçada que durará enquanto a ameaça de punição permanecer. Quão frequentemente vemos pais punindo seus filhos a fim de fazer com que eles se arrependam, mas isto é um erro. Assim do mesmo modo, os poderes civis procuram levar os criminosos ao arrependimento através de multas e aprisionamento, mas estas medidas não têm sucesso. Porém o verdadeiro arrependimento é trazido apenas pela revelação da bondade de Deus.

Todo o filho de Deus procura ganhar a verdadeira experiência no arrependimento até certo grau. Necessitamos de um estabelecimento interior do ódio ao pecado, e um profundo desejo de refletir a imagem de Jesus Cristo. Podemos estar certos que de cada vez que vemos uma mais completa revelação da bondade de Deus, seremos levados a um mais profundo arrependimento.

Por exemplo, as vidas dos discípulos de Cristo ilustram isto. Antes de vir o Pentecostes, eles tinham visto a glória de Deus no sacrifício de Jesus.  Consequentemente, à medida que eles se aproximavam do derramamento do Espírito Santo, humilharam os seus corações em verdadeiro arrependimento, e confessaram a sua incredulidade. Ora, o que é que produziu este arrependimento neste ponto de tempo? Eles tinham passado os anteriores quarenta dias com Jesus Cristo. Durante esse período, os seus olhos foram abertos. Eles tinham visto a bondade de Deus levou-os ao profundo arrependimento alcançado neles antes do Pentecostes.

Quando o Espírito Santo foi derramado, uma revelação mais rica da bondade de Deus foi dada como está relatado em Actos do Apóstolos, pág. 38.

“O Espírito veio sobre os discípulos, que expectantes oravam, com uma plenitude que alcançou cada coração. O Ser infinito revelou-Se em Poder a Sua igreja.”

Notai aquelas palavras outras vez: “O Ser infinito revelou-se em poder a Sua igreja.”

O que é Deus? Deus é bondade; Deus é justiça.

Recordemos a revelação de Deus a Moisés quando Deus proclamou a Sua bondade. “Pensando, pois, o Senhor perante a sua face, clamou: Jeová, o Senhor, Deus misericordioso e piedoso, tardio em iras e grande em beneficência e verdade;” Êxodo 34:6.

Por isso quando vedes Deus, vedes bondade – pura e perfeita bondade. Vedes bondade que leva ao arrependimento. Assim, quando no Pentecostes, Deus Se revelou a Si mesmo em poder à Sua igreja, revelou a Sua bondade. Isto apenas podia ter levado ao arrependimento. E assim foi.

Leiamos um pouco mais em Actos do Apóstolos: “Era como se por séculos esta influência estivesse sendo reprimida, e agora o Céu se regozijasse em poder derramar sobre a igreja as riquezas da graça do Espírito.”

Nesta experiência, a bondade de Deus não foi meramente colocada perante eles, mas foi uma obra feita neles, porque foram derramadas neles as riquezas da graça do Espírito. Ora, o que é a graça de Deus? A Ellen White diz em o Grande Conflito, 392, é o “poder do Espírito Santo, que regenera e alumia,” Assim aqueles homens encontraram-se cheios da graça de Deus no dia de Pentecostes. Por outras palavras, Deus derramou Sua bondade sobre eles, e eles viram a Sua bondade em si mesmos. Qual foi o resultado? Aqui está a resposta.

“E sob a influência do Espírito, palavras de penitência e confissão misturavam-se com cânticos de louvor por pecados perdoados.” Actos dos Apóstolos, Pág. 38. “Soube a influência do Espírito, palavras de penitência e confissão misturavam-se com cânticos de louvor por pecados perdoados. Eram ouvidas palavras de gratidão e de profecia. Todo o Céu se inclinou na contemplação da sabedoria do incomparável e incompreensível amor.”

Ora é o amor de Deus a bondade de Deus? Absolutamente! É a maior manifestação da bondade de Deus. Porque Ele nos ama, Ele é bom para nós. Nós merecemos morrer. Não temos o direito à salvação, mas Deus na Sua incrível bondade estendeu a Sua mão para nos salvar. Os anjos conhecem e compreendem a bondade de Deus, mas eles se maravilham pela forma como Deus nos ama. Mas eles amam aquilo que vêem. Eles apreciam a bondade de Deus. Estão contentes por Deus salvar a humanidade, e eles estão felizes por participarem na maravilhosa obra de salvar o perdido.

Estes anjos que conheciam e admiravam o incomparável amor de Deus, “inclinaram-se para contemplar e adorar a sabedoria do incomparável e incompreensível amor.” Assim o interesse e atenção dos anjos foram completamente cativados no dia do Pentecostes quando testemunharam uma manifestação do amor e bondade de Deus que ultrapassou tudo o que jamais haviam conhecido. E, acerca dos discípulos? Absorveram-se em admiração!

“Absortos em admiração, os apóstolos exclamaram: ‘Nisto está a caridade’!

Que experiência eles certamente tiveram naquele dia! Que nós na nossa imaginação tentemos reviver a cena. Aqui estavam os homens simples.  Agora, eles compreendiam a mensagem da salvação; e podiam regozijar-se nas maravilhas da graça salvadora de Deus. Então sobre desceu a plenitude do poder do Espírito Santo. Isto abriu os seus olhos para contemplarem o amor de Deus como nunca haviam feito antes. A revelação foi tão poderosa, maravilhosa, e completa, que eles se acharam sem palavras com admiração. Eles adoraram o que viram. Eles admiraram-se e maravilharam-se perante isso. As palavras são inadequadas para descreverem essa experiência. Nós nunca saberemos o que eles sentiram e viram até que nós mesmos passemos pelo mesmo terreno.

A chuva temporã foi muito abundante, mas a chuva serôdia, será muito mais ainda. Assim, uma experiência ainda maior espera por nós. Devemos desejá-la e, orar por ela, e asseguremos-vos que ela virá no tempo devido. Assim, a ilustração neste capítulo é muito clara. Quanto mais homens viram a bondade de Deus, mais profundamente entraram no arrependimento. Assim será sempre. Então, se desejamos ter profundo arrependimento, que certamente devemos ter se desejarmos introduzir a justiça eterna, devemos obter visões muito claras acerca da bondade de Deus. Necessitamos de um arrependimento que examinará os nossos corações até ao mais profundo das profundidades. Todo o pecado deve ser encontrado, confessado e afastado. Portanto, devemos ter mais e mais largas visões da bondade de Deus. Como é que obtemos isso? Há apenas uma forma e essa através da comunhão. É pela contemplação que somos transformados. Há uma história no Antigo Testamento que ensina esta verdade poderosamente. É a história de Elias no Monte Carmelo. Nós descreveremos a história no livro Profetas e Reis desde altura em que ele anunciou a seca até à confrontação no Monte.

Israel era uma terra onde manava leite e mel, uma terra maravilhosa e produtiva, mas eles separaram-se das divinas bênçãos por causa das suas persistentes transgressões. Para os salvar dos resultados dos seus pecados, o Senhor enviou uma advertência através do Seu mensageiro, Elias. Com grande fé na Palavra de Deus, Elias marchou para o palácio do rei em Samaria, entrou directamente à presença do rei, sem desafio ou oposição, e entregou a mensagem de que não haveria mais chuva até que eles se arrependessem.

A seca começou imediatamente e desenvolveu-se numa terrível situação. Mas isto não era visível quando Elias ia para Samaria. Foi somente pelo exercício de forte fé no infalível poder da palavra de Deus que Elias apresentou sua mensagem. Não possuísse ele implícita confiança n’Aquele a quem servia, e jamais teria aparecido perante Acabe. Em sua viagem para Samaria, Elias havia passado por correntes sempre a fluírem, montes cobertos de verdura, majestosas florestas que pareciam estar além do alcance da seca. Tudo em que seus olhos repousavam estava coberto de beleza. O profeta podia ter sido levado a duvidar de como poderiam essas fontes que jamais cessaram de fluir tornaram-se secas, ou esses montes e vales serem calcinados pela sequidão. Mas ele não deu lugar à incredulidade. Cris plenamente que Deus humilharia o apóstata Israel, e que mediante juízos eles seriam levados ao arrependimento.” Profetas e Reis, págs, 121,122.

A menos que tenhais vivido numa terra sujeita a secas, nunca podeis imaginar quão terríveis as coisas se podem tornar. Durante esta semana de reuniões por exemplo, nós temos tido bastante chuva. O país está verde, o ar está limpo, e todas as coisas parecem prósperas, mas imaginai se não houvesse chuva durante um mês, depois durante dois messes, seis meses, um ano. Onde estaria então a erva verde, ou o ar fresco, e a prosperidade?

Tudo teria desaparecido!

Nada mais haveria do que solo nu e o ar estaria cheio de poeira. Ventos escaldantes varreriam o país, e fogos violentos arrasariam florestas. O sol seria feio vermelho e apagado, e a terra antes bela tornar-se-ia como um deserto. O gado e ovelhas morreriam aos milhares, as espigas não nasceriam e o sofrimento seria intenso, vasto e terrível.

Eu vim da Austrália, onde temos severas secas, e temos ouvido falar de tremendas secas em África, mas em nada se comparam como que Israel sofreu nos dias de Elias.  Nós não compreendemos quão más as coisas se tornaram em Israel quando foram afligidos por essa seca. Depois de três meses, eles estavam a sofrer, mas não se arrependeram. Passado seis messes, estavam a sofrer muito mais, mas continuaram a não se arrepender. Depois de um ano, dois anos, o seu sofrimento tornou-se cada vez maior, porém continuariam a não se arrepender.

O rei não se arrependeria. A rainha estava mais desafiadora do que nunca. Os sacerdotes de Baal continuaram a rebelar-se contra Deus. O povo em silêncio segui-o na sua impenitência. Não salienta isto o ponto que sofrimento não produz arrependimento? Pode produzir um comportamento controlado, mas não esse arrependimento que afasta o pecado para longe.

Durante alguns meses, ele esteve escondido junto ao ribeiro, em seguida foi para a viúva de Sarepta, onde permaneceu até chegar ao Monte de Carmelo. Quando esse dia fatídico chegou, Elias desafiou os sacerdotes de Baal para que erigissem um altar e fizessem descer fogo para consumir o sacrifício. Todo o dia, tentaram produzir fogo, mas falharam.

Isto podia parecer surpreendente pois Satanás, com certeza tinha poder para enviar fogo para consumir o holocausto, teria gostado de o enviar. “Alegremente Satanás teria vindo em socorro desses a quem havia enganado, e que eram devotados a seu serviço. Alegremente ele teria enviado o fogo para queimar o sacrifício. Mas Jeová havia fixado limites a Satanás- restringira seu poder – e nem todos os artifícios do inimigo podiam lançar sobre o altar de Baal uma única centelha” Profetas e Reis, Pág. 150.

Eu creio que houve uma boa razão para Deus limitar o poder de Satanás na altura. Foi porque Ele tinha ao Seu dispor, um homem de justiça na pessoa de Elias. Eu estou grandemente impressionado com esta facto. Deus nunca faz grande obra neste mundo a menos que tenha sob Seu comando um homem dedicado, de perfeita justiça. Por exemplo, Deus fez coisas maravilhosas em Babilónia porque Daniel tinha a justiça eterna e que não podia cometer um único erro. Por causa do incrível poder em si, ele podia enfrentar o rei.

Semelhantemente, Elias veio ao Monte Carmelo, e é-nos dada alguma ideia do tremendo poder que estava nele, quando ele foi capaz de ficar firme perante o rei e os sacerdotes todo o dia. Se ele não tivesse sido o homem que era, Satanás poderia ter enviado o fogo sobre o altar de Baal, e a causa de Deus teria enfrentado um fracasso. Uma vez mais nós vemos que apenas um homem foi necessário.

Em Babilónia, quatro jovens ficaram firmes contra todo o poder de Babilónia, mas isso foi o suficiente. Eles não puderam ser derrotados. No Monte Carmelo, houve apenas um homem contra toda a nação, mas foi o suficiente. Quando David foi contra Golias, ele levou cinco pedras, mas isso foi mais que suficiente. Uma pedra derrubou o gigante. Ele tinha quatro pedras suplementares. Realmente em Babilónia, quatro jovens foram mais que suficientes. Um teria chegado. Nos últimos dias, se Deus tivesse unicamente um verdadeiro crente, Ele continuaria a ganhar a vitória. Mas, nesse crente o pecado teria acabado, a transgressão finalizada, e a justiça eterna introduzida. E nós com certeza sabemos que nos últimos dias, haverá um pequeno grupo mantendo-se firme na luz, um aqui, dois ali, e outro mais além. Assim será em todo o mundo. Cada crente encontrar-se-á a si mesmo lançado contra aparentes impossibilidades. Ele desejará apoiantes e seguidores que trabalhem consigo. Parecerá que não haverá soldados suficientes do lado de Deus, mas será mais do que suficiente. Como Elias triunfou, assim triunfará o povo final de Deus.

Consideremos agora como Deus podia controlar Satanás de modo que este não podia enviar fogo sobre o altar de Baal como ele gostaria de ter feito. Muitas pessoas vêem na confrontação no Monte Carmelo uma contestação acerca de quem tinha maior poder físico, Deus ou Satanás. Mas o acontecimento no grande conflito não é se Deus é ou não mais forte do que Satanás. A batalha está a ser travada sobre outras questões que não estas. Satanás sabe, tal como nós, que Deus é muito mais forte do que ele. Além disso, Deus não usa as armas da força quando vai fazer uma guerra. Recordemos um ou dois testemunhos confirmando este facto.

“Deus podia haver destruído Satanás e seus adeptos tão facilmente, como se pode atirar um seixo à terra; assim não fez, porém. A rebelião não seria vencida pela força.” O Desejado de Todas as Nações, Pág. 728.

Antes de continuarmos a ler, consideremos o facto que, no Monte de Carmelo nesse dia estavam incontáveis rebeldes. Os seiscentos sacerdotes eram de todos os piores rebeldes. O povo que se juntou ali não estava arrependido. Portanto, eles também estavam em rebelião. Todos estes deviam ser vencidos pelo Senhor. Mas na Sua obra, rebelião não deve ser vencida pela força. Portanto se vemos uma exibição de força da parte de Deus no Monte Carmelo, temos lido mal a história. Tão cedo quanto somos tentados a pensar assim, a palavra de Deus deve salvar-nos da tentação pois o Senhor diz que rebelião não deve ser vencida pela força.

Agora continuamos a ler:

“Poder compulsor só se encontra sob o governo de Satanás. Os princípios do Senhor não são dessa ordem. Sua autoridade baseia-se na bondade, na misericórdia e no amor; e a apresentação desses princípios é o meio a ser empregado.” O Desejado de Todas as Nações, pág 728.

Isto significa que onde quer que vejamos o exercício do poder compulsor vemos Satanás a operar, pois a palavra de Deus diz que “Poder compulsor só se encontra sob o governo de Satanás. Os princípios do Senhor não são dessa ordem. Sua autoridade baseia-se na bondade, na misericórdia e no amor; e a apresentação desses princípios é o meio a ser empregado. O governo de Deus é moral, e verdade e amor devem ser o poder predominante.”

A verdade e o amor devem ser o poder predominante – o poder conquistador. Ora, no Monte Carmelo quem prevaleceu, quem venceu? Foi Deus ou Satanás? Foi Deus que venceu! Foi uma maravilhosa vitória para o Senhor. Na vitória que armas é que Deus usou?  A resposta é: Verdade e amor. “O governo de Deus é moral, e a verdade e amor devem ser o poder predominante.”

Assim, onde quer que vejamos a vitória de Deus, sabemos que Ele não usou poder compulsor ou força, mas a verdade e amor têm sido as Suas armas. O que é verdade e amor? A resposta é: A bondade de Deus, que leva ao arrependimento, que, por sua vez, leva à vitória sobre o pecado.

Portanto, no Monte Carmelo, verdade e amor prevaleceram. Não foi uma disputa entre o poder de Satanás e o poder de Deus, no que diz respeito ao poder físico. Por conseguinte, se Deus não usou a Força no Monte Carmelo, como controlou ele Satanás de modo que o impediu de queimar o sacrifício? Parece que Deus realmente usou poder compulsor para restringir o diabo. Parece com se Deus atasse Satanás de maneira que ele não podia fazer o que desejava. Mas isso não podia ser pois Deus não usa o poder compulsor.

Nós sabemos que Satanás foge da presença de Deus. Ele não pode permanecer onde as forças da justiça estão presentes como estavam na pessoa de Elias nesse dia. Quando Deus protege o Seu povo, o diabo é incapaz de enviar as suas forças destruidoras contra ele. Esta foi a razão pela qual ele não podia enviar fogo contra Sodoma e Gomorra enquanto houvesse ali algumas pessoas justas.

Onde quer que o povo de Deus esteja, está protegido por poderosos anjos. Quando Elizeu estava em Dotã, o seu servo ficou bastante assustado quando viu que a cidade estava cercada pelos soldados inimigos, mas quando os seus olhos foram abertos, ele viu um exército de anjos protegendo-os. Era impossível a Satanás penetrar esta companhia de anjos.

Quando Elias estava no Monte Carmelo cheio de Justiça, um poderoso exército de anjos o assistiam. Eles ocupavam a área, e Satanás não podia penetrar este exército, celestial. Assim Satanás não podia controlar os elementos suficientemente perto para enviar um raio que incendiasse o sacrifício que estava no altar de Baal.

Para esta perfeita protecção ser mantida, Elias tinha que preservar a sua fé tivesse vacilado, as forças das trevas teriam triunfado, e nenhuma vitória teria sido ganha para Deus.

“Foi porque Elias era um homem de grande fé que Deus pôde usá-lo nesta grave crise na história de Israel”. Profetas e Reis Pág,156.

Um homem de grande fé é um homem que tem grande justiça. Elias era um homem assim. Por causa disto, Deus podia usá-lo nesta grave crise em Israel. Durante esse longo dia, ele não ousava perder a sua fé ou a sua justiça, porque, se o fizesse, Satanás teria penetrado na montanha e assim ganharia a vitória. Então Elias teria perdido tanto a batalha como a sua vida.

Agora consideremos o fogo que desceu e consumiu o sacrifício. Elias construiu o altar, colocou a madeira e o sacrifício, então ordenou que tudo fosse saturado com água. Lemos agora em 1 de Reis 18:30-39.

“Então Elias disse a todo o povo: Chegai-vos a mim. E todo o povo se chegou a ele; e reparou o altar do Senhor, que estava quebrado.

“Elias tomou doze pedras, conforme ao número das tribos dos filhos de Jacó, ao qual veio a palavra do Senhor, dizendo: Israel será o teu nome.

“E com aquelas pedras edificou o altar em nome do Senhor; depois fez um rego em redor do altar, segundo a largura de duas medidas de semente.

“Então armou a lenha, e dividiu o bezerro em pedaços, e o pôs sobre a lenha.

“E disse: Enchei de água quatro cântaros, e derramai-a sobre o holocausto e sobre a lenha. E disse: Fazei-o segunda vez; e o fizeram segunda vez. Disse ainda: Fazei-o terceira vez; e o fizeram terceira vez;

“De maneira que a água corria ao redor do altar; e até o rego ele encheu de água.

“Sucedeu que, no momento de ser oferecido o sacrifício da tarde, o profeta Elias se aproximou, e disse: Ó Senhor Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme à tua palavra fiz todas estas coisas.

“Responde-me, Senhor, responde-me, para que este povo conheça que tu és o Senhor Deus, e que tu fizeste voltar o seu coração.

“Então caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e o pó, e ainda lambeu a água que estava no rego.

“O que vendo todo o povo, caíram sobre os seus rostos, e disseram: Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus!

Por fim, o arrependimento foi alcançado. Perguntamos novamente, O que produziu o arrependimento? A resposta é a bondade de Deus! Assim, o que foi demonstrado nesse dia? A resposta tem que ser, a bondade de Deus! Eles viram-na revelada no fogo e no consumir o sacrifício e do altar.

Geralmente uma pessoa crê que Deus enviou o fogo. Elas crêem que Deus pessoalmente controlou e dirigiu as chamas contra o sacrifício. Pensemos acerca das implicações de acreditar isto. O sacrifício representa a morte de Jesus Cristo. O altar simboliza a cruz do Calvário, o instrumento do sacrifício.

Se esse fogo foi enviado por Deus, temos a falsa ilustração de Deus a destruir o Seu próprio Filho. Deus o Pai, não destruiu Jesus Cristo! Foi o pecado que tirou a vida do Filho de Deus.

Deus é o Deus da verdade. Portanto, não nos seria dada uma falsa ilustração no Monte Carmelo. Ele não Se mostraria como um destruidor de Jesus Cristo quando, de facto, Ele não é o destruidor.

Eu sei que Deus não é destruidor. A prova mais forte disto é encontrada no facto que Jesus permaneceu no lugar do homem sobre a mesma punição. “No instante em que o homem aceitou as tentações de Satanás, e fez aquelas coisas que Deus havia dito que não fizesse, o Filho de Deus, colocou-Se entre a vida e a morte, dizendo, ‘que a punição caia sobre Mim. Eu ficarei no lugar do homem. Ele terá outra oportunidade.’”S.D.A. Bible Comentary 1:1085.

Assim disse Jesus, “Eu tomarei a punição do homem. E ficarei no seu lugar.” Portanto, no Calvário, Cristo sofreu a punição do homem. Ele morreu como o não arrependido morre, apenas tenho que olhar para a cruz para ver como jesus morreu. Eu sei que o mistério da cruz explica todos os outros mistérios. Quando Jesus tomou o lugar do homem, então o Pai tinha que tratá-Lo precisamente da mesma maneira como trata todo o perdido pecador. Portanto, se é Deus que destrói o pecador, então foi Deus que destrui Cristo. Mas Deus não destruiu Cristo, então Deus não destrói o pecador.

O que aconteceu realmente no Calvário? Todo o peso de todos os pecados foi colocado sobre Ele. Ele tornou-se desse modo o maior pecador que jamais viveu e, e como tal, atraiu a Si a punição do pecado como nenhum outro jamais atraiu. Isto não foi assim por causa do Seu pecado, pois Ele nenhum tinha que fosse propriamente Seu. Mas, quando Ele tomou os nossos pecados, tomou-os como se fossem cometidos por Si. Por isso, na cruz, Cristo tornou-Se o maior de todos os pecadores, e Deus não tinha escolha senão relacionar-Se com Ele como tal. Por conseguinte, na forma como Deus Se relacionou com Cristo, o maior de todos os pecadores, está a revelação do modo como Deus Se relaciona com todos os pecadores.

Deus não destrui Cristo, pois “Deus não fica em relação ao pecador como executor da sentença contra a transgressão; mas deixa entregues a si mesmos os que rejeitam Sua misericórdia, para colherem aquilo que semearam.” O grande Conflito, pág.33.

Assim, Deus não é o executor. Em vez disso, Ele deixa o pecador entregue a si mesmo para colher aquilo que semeou. Deste modo o pecador não arrependido é deixado exposto ao sofrimento e morte que ele próprio trouxe sobre si mesmo. Na realidade Deus não deixa o pecador, mas é o pecador que O deixa. Nós próprios nos separamos da Sua misericórdia e protecção, em seguida nada há que nos possa salvar do poder destruidor do pecado. Mas embora reconheçamos a nossa necessidade de salvação, e arrependimento dos nossos pecados, Cristo morreu a morte que nós merecemos. Isto é o que o povo viu no Monte de Carmelo. Eles viram que o fogo devia consumi-los. Eles eram pecadores, tinham-se rebelado contra Deus e mereciam morrer. Mas eles viram o fogo destruidor o sacríficio. Esta ra uma verdadeira ilustração do plano da salvação, no qual a bondade de Deus é revelada no seu brilho mais radiante.

Nós sabemos que o povo viu a bondade de Deus nesse dia porque se arrependeu. Eles devem ter visto o evangelho revelado quando o fogo desceu e queimou o bezerro, a lenha, as pedras, o pó, e a água, sem apesar disso lhes tocar, à ordem de Elias, eles tinham que se aproximar do altar.

Voltemos a nossa atenção para o fogo e reconheçamos que foi um fogo extraordinário. Temos visto fogos suficientemente fortes para queimar corpos e madeira molhada, mas nunca vimos um fogo com a capacidade para completamente queimar as pedras em poucos minutos. Tão totalmente esse fogo consumiu tudo, que nem mesmo pó restou. O sacrifício desapareceu, a lenha estava queimada, as pedras desapareceram, a água dissipou-se, e mesmo o pó havia sido queimado.

Já alguma vez viste um tal tipo de fogo? Eu não vi!

Esse deve ser o fogo que arderá no final do milénio. Suponhamos que o povo tinha sido queimado nesse dia, tal como merecia. O que é que teria restado deles: A resposta é: Nada! Não teria havido corpos, nem mesmo cinzas. Nenhum traço de qualquer espécie teria restado.

Eu tenho visto fotografias dos resultados de fogos florestais em que pessoas foram queimadas até morrerem. Aqueles fogos são extremamente violentos, mas eles não consomem os corpos que continuam a ser reconhecidos como corpos. Mas se o fogo do Monte Carmelo tivesse queimado aquelas pessoas, não teria deixado qualquer traço, nem mesmo cinzas. Teria sido inteira, completa, e total destruição. Teria sido como se nunca tivesse existido.

Mas o fogo não lhes tocou, mas consumiu o sacrifício em seu lugar, e nesse dia, experimentaram uma salvação pessoal da morte. Viram Deus como seu Salvador e não como seu destruidor. Viram-n’O morrer no seu lugar, e na ferocidade do fogo, obtiveram um novo conceito da intensidade dos sofrimentos de Cristo em seu favor. Assim contemplaram a bondade de Deus e arrependeram-se.

Donde veio então o fogo se não veio de Deus? Alguns podem dizer que deve ter vindo de Satanás porque ele é o destruidor. Mas não veio dele directamente, nem, tal como vimos, veio directamente de Deus também. Veio de Deus num certo sentido. Veio no sentido em que Ele é o Criador do fogo. Vejamos Apocalipse 20:9. “Mas desceu fogo de Deus e os devorou.”

Algumas pessoas compreendem estas palavras como significando que Deus pessoalmente envia fogo o fogo dos ímpios. Mas, Deus não é o destruidor, assim nós necessitamos de compreender em que sentido o fogo vem d’Ele.

Que o problema seja ilustrado do seguinte modo. Um homem é um fabricante de facas as quais vende para utilização útil. Porém, um assassino toma uma destas facas e mata alguém com ela. Pode ser dito que a faca que veio do fabricante matou o homem, mas isto não faz o fabricante um homicida.

Semelhantemente, o fogo vem de Deus. Não pde vir de outra fonte porque Deus é o Único Criador. Nós não podemos viver sem fogo. Um fogo arde continuamente nos nossos corpos. Quando o fogo irrompe nós morremos. O fogo mantém os vossos automóveis em movimento, faz as árvores crescer, e nós temos que ter um sol escaldante para promover o nosso crescimento e manter-nos quentes. Ora, Deus não fez esse fogo de Deus consumirá os ímpios no final. Podemos dizer isto no sentido que Deus o criou, e, portanto, vem d’Ele. Mas ele sairá do Seu controlo por causa dos pecados dos homens, e então tornar-se-á um destruidor.

Assim o fogo do Monte Carmelo veio indirectamente de Deus. Nem veio ele diretamente de Satanás. Não podia ter vindo porque, devido à presença de divina, Satanás não era capaz de estar presente na cena. Além disso não teria servido o propósito de Satanás trazer fogo ao altar que mostrava o plano da salvação. O único fogo que ele teria enviado seria para o altar de Baal, e não para o altar de Deus.

Em que sentido trouxe ele o fogo indirectamente? Quando Satanás levou Adão e Eva ao pecado, grandes, apesar de invisíveis mudanças ocorreram na natureza. A única razão porque elas não podiam ser vistas foi porque Deus mantinha a natureza sob controlo. Aparentemente, toda a natureza está preparada para explodir em chamas em qualquer momento e fá-lo-ia se não fosse o poder controlador de Deus. No Monte Carmelo, ao pedido de Elias, e para fornecer uma ilustração do evangelho, Deus libertou o Seu poder controlador numa pequena área. Assim Ele deu uma pequena demonstração do que teria acontecido a todo o mundo.

Esse fogo foi uma ilustração do nosso pecado fazendo a sua obra de destruição. O povo viu do que estava sendo salvo e isso levou-os ao arrependimento.

 

 

 



segunda-feira, 16 de março de 2015

MAIS PENSAMENTOS ACERCA DO CARÁTER DE DEUS - F. T. WRIGHT

 



Por

F.T. Wright

   Tão certamente como Deus é infinito, também o é o estudo acerca do Seu carácter. Nunca chegará o tempo em que o homem finito pode fechar a capa de qualquer livro sobre este assunto declarando que tudo quanto pode ser escrito a respeito de Deus está publicado. Isto continuará a ser verdade no Paraíso restaurado, onde, com mentes muitíssimo mais poderosas, e maior acesso a toda extensão do ilimitado conhecimento, iremos explorar sem cessar as infinitas minas da verdade. Não importa quanto se aprenda acerca do amoroso carácter do nosso maravilhoso Pai celestial, haverá ainda uma infinidade para além disso. Uma das consumadas alegrias do céu será encontrada nesta viagem infinita de descoberta à medida que cada nova faceta de luz e vida é discernida, a felicidade dos remidos aumentará, e o seu crescente amor por Deus ancorá-los-á mais firmemente n’Ele. 

   Assim, neste artigo vamos expor alguns pensamentos adicionais que vieram à luz nos últimos meses. 

A EXALTAÇÃO PRÓPRIA DO HOMEM

   Creio que se podia com segurança concluir que cada falso ensino exalta o homem acima de Deus. Isto é com certeza verdade acerca da teoria que Deus destrói os Seus filhos que duma maneira ou de outra não Lhe obedecem. 

   Para discernir este facto, é apenas necessário comparar a representação de Deus que esta teoria projecta e o carácter dos pais terrestres. Pode ver-se instantaneamente que de acordo com esta comparação, o pai terrestre é mais paciente, perdoador, bom e amoroso do que Deus. Isto apresenta o homem sendo melhor do que Deus e portanto acima d’Ele. Isto desvaloriza Deus ao nível daqueles pais desumanos que neste mundo têm destruído os seus próprios filhos quando eles teimam no seu caminho ou se recusam a obedecer às suas ordens despóticas e impiedosas. 

    Que os leitores perguntem a si mesmos o que fariam e porquê se os seus filhos fossem totalmente desobedientes, desrespeitadores e viciados. Saberiam que não podiam destruir os seus próprios filhos e portanto não os destruiriam por este motivo. Não seria possível por causa do seu amor por eles. 

    Se se acredita que Deus podia fazer o que os pais terrestres não podem, então Ele é apresentado numa luz pior do que um pai humano. Teria no Seu carácter uma dureza, orgulho, espírito vingativo e severidade desconhecida nos pais terrestres para com os seus filhos. 

    Os factos reais são, é claro, muito diferentes. O amor de Deus para com os Seus filhos é incomensuravelmente maior do que o dos pais terrestres. Se não está nos pais terrestres destruir os seus próprios filhos, a disposição para o fazer é infinitamente menor no nosso maravilhoso Pai celestial.

 O DOM DA LIBERDADE

   Quando Deus criou o homem, Ele tornou-o um agente moralmente livre com total liberdade para obedecer ou desobedecer conforme o seguinte testemunho confirma: "Nossos primeiros pais, se bem que criados inocentes e santos não foram colocados fora da possibilidade de praticar o mal. Deus os fez como entidades morais livres, capazes de apreciar a sabedoria e benignidade de Seu carácter, e a justiça de Suas ordens e com ampla liberdade de prestar obediência ou recusá-la." Patriarcas e Profetas, 32.

    Esses são os factos do caso, do qual poderosas implicações devem ser tiradas. Quer dizer que, uma vez que Deus lhes havia dado total liberdade para “prestar obediência ou recusá-la”, Ele não podia puni-los por exercerem a liberdade que assim lhes fora dada. Tudo quanto Ele podia fazer era avisá-los das consequências certas de pôr de lado os preceitos divinos. Ele não podia administrar a punição que seria causada pela desobediência. Devia deixar-se que o pecado exigisse o seu próprio pagamento. 

    Simples, lógico e óbvio como este princípio devia ser, é surpreendente como poucos o vêem realmente. Para o tornar claro, senti que uma clara ilustração era necessária. Isto foi visto quando visitei a prisão do estado Auburn, Nova Iorque, em Novembro de 1983. Não era dada ao prisioneiro com quem falei qualquer liberdade para ficar ou sair conforme quisesse. Era muito claro para ele que era obrigado a ficar lá até à altura em que fosse libertado, se essa altura alguma vez chegasse. Se tentasse empreender uma fuga sob estas condições, ao ser recapturado seria severamente punido. 

    Mas, se as autoridades lhe dissessem que tinha toda a liberdade para escolher ficar ou partir, então, se ele partisse, não tinham legitimidade para puni-lo. No momento em que o governador da prisão, em representação dos seus superiores, anunciasse esta liberdade, teria confiscado todo o direito de punir o prisioneiro se ele partisse. 

   Se este princípio simples puder ser visto, então não deve haver mais problema em reconhecer que Deus, ao dar à família humana toda a liberdade para abandonar ou manter obediência, desse modo confiscando todo o direito de jamais punir qualquer dos seus membros pelo exercício dessa liberdade em qualquer das formas que ele escolhesse.  

    Isto não é sugerir que o Senhor realmente confiscou alguma coisa, pois não havia n’Ele qualquer disposição para punir. Ele não tem interesse no tipo de obediência que nasce do medo da punição.  Ele aceitará apenas aquele serviço que brota da inteligência, apreciação, e amor. Portanto, quando Ele deu ao homem a total liberdade de obedecer ou não obedecer, estava apenas a expressar o Seu carácter de infinito amor.


TAL ORDEM NUNCA FOI DADA

    O argumento favorito na defesa da ideia que Deus é um destruidor, é que o Senhor ordenou aos israelitas que lutassem contra os inimigos e os destruíssem. A ideia é que, embora possa ser reconhecido que o próprio Deus nunca matasse, o facto de ter ordenado a outros que fizessem a obra destruidora por Ele, torná-l’O-ia tão culpado como se Ele próprio o tivesse feito. Os textos citados para apoiar esta posição têm a tendência para incluir o seguinte: 

   “Então disse Samuel a Saúl: enviou-me o Senhor a ungir-te rei sobre o Seu povo, sobre Israel: ouve, pois, agora, a voz das palavras do Senhor. 

    “Assim diz o Senhor dos exércitos: Eu me recordei do que fez Amalec a Israel; como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egipto. 

    “Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente, a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás, desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de mama, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos. 

    “E Saúl convocou ao povo, e os contou em Teilaim, duzentos mil homens de pé, e dez mil homens de Judá.” 1Samuel 15:1-4. 

    Saúl não seguiu estas instruções à letra, mas manteve vivos os animais que podiam ser usados em sacrifícios ou outros para outros fins. O seu fracasso em obedecer explicitamente à instrução divina fez com que o Senhor proferisse um terrível juízo contra ele. 

    “E enviou-te o Senhor a este caminho, e disse: Vai, e destrói, totalmente, a estes pecadores, os Amalequitas, e peleja contra eles, até que os aniquiles. 

    “Por que, pois, não destes ouvidos à voz do Senhor, antes voaste ao despojo, e fizeste o que parecia mal aos olhos do Senhor? “Então disse Saúl a Samuel: Antes, dei ouvidos à voz do Senhor, e caminhei no caminho pelo qual o Senhor me enviou; e trouxe a Agag, rei de Amalec, e os Amalequitas destruí totalmente; 

    “Mas o povo tomou do despojo ovelhas e vacas, o melhor do interdito, para oferecer ao Senhor, teu Deus, em Gilgal. 

   “Porém Samuel disse: Tem, porventura, o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. 

    "Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para não sejas rei.” Versículos 18-23.     

   "Quando estes versículos são lidos, é natural concluir que o Senhor especificamente ordenou a Saúl que lutasse contra os Amalequitas até que os israelitas os tivessem destruído completamente. Quando o rei falhou em fazer exactamente o que o Senhor lhe tinha indicado, então foi severamente repreendido de modo que foi para sempre riscado do serviço de Deus. 

   Estas instruções de Deus através de Samuel eram orientações adicionais para o cumprimento da palavra dada a Moisés anteriormente à sua chegada ao monte Sinai. Isto foi ocasionado pelos covardes ataques dos Amalequitas contra o fraco, doente e errante povo de Deus. 

     Por causa da desobediência de Israel e do seu afastamento de Deus, foi-lhes permitido serem colocados em posições difíceis e sofrer adversidade; aos seus inimigos foi permitido fazer guerra contra eles, para os humilhar e levá-los a procurar Deus na sua dificuldade e angústia.” Testimonies 2:106

    O relato em Êxodo não diz que o Senhor instruiu Moisés para dizer a Josué que reunisse os homens para a guerra, mas naturalmente se pensaria que Moisés não agiria a não ser sob as orientações de Deus. Contudo, não é necessário provar que Deus foi o autor destes movimentos para demonstrar que Ele aparentemente deu instruções para os israelitas saírem e lutarem contra os inimigos, pois sabemos que, depois do seu vitorioso regresso, Deus deu precisamente essas ordens a respeito do que eles deviam fazer aos Amalequitas no futuro. 

    “Então disse o Senhor a Moisés; Escreve isto para memoria num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué; que Eu, totalmente, hei-de riscar a memória de Amalec de debaixo dos céus.” Êxodo 17:14. 

    Israel certamente compreendeu que isto significava que o Senhor o faria através das armas de guerra que eles usariam. Por outras palavras, eles lutariam com os Amalequitas até que nenhum deles ficasse. A repetição desta ordem em Deuteronómio 25:17-19 parece confirmar que os israelitas deviam fazer realmente a matança. “Lembra-te do que te fez Amalec no caminho, quando saías do Egipto: 

    "Como te saiu ao encontro no caminho e te derribou na retaguarda, todos os fracos que iam após ti, estando tu cansado e afadigado; e não temeu a Deus. 

    “Será, pois, que, quando o Senhor, te tiver dado repouso de todos os teus inimigos em redor, na terra que o Senhor teu Deus te dará por herança para possuí-la, então apagarás a memória de Amalec de debaixo do céu: não te esqueças.” Deuteronómio 25:17-19.

     Quando o Senhor proferiu estas palavras, sabia o que queria dizer com elas e aquilo que Ele pretendia que Israel entendesse por elas, mas é evidente que, por causa da pecaminosidade dos seus corações, o povo a quem as palavras eram dirigidas, não compreendeu a mensagem divina. Este facto é tornado muito claro quando chegaram a Cades-Barneia. 

    Ali, o seu divino guia tinha-lhes ordenado que fossem e possuíssem a terra sob o Seu comando pessoal, mas eles haviam seguido um caminho de incredulidade e  desobediência, com o resultado que o Senhor tinha que informá-los que deviam passar o resto das suas vidas errando pelo deserto. Quando ouviram isto, pareceram arrepender-se, e, ao fazê-lo, proferiram as seguintes palavras que revelaram como compreendiam as declarações de Deus: 

    "… Pecámos contra o Senhor; nós subiremos e pelejaremos, conforme a tudo o que nos ordenou o Senhor, nosso Deus.” Deuteronómio 1:41. 

    Estas palavras claramente revelam a interpretação dada às palavras de Deus pelo povo. Eles pensaram que o Senhor tinha ordenado que subissem e lutassem contra os seus inimigos e tomassem posse da terra deles. Além disso, esta é a interpretação que qualquer um tem a tendência de dar às referências acima citadas. Contudo, não foi a conclusão que Deus teve intenção que eles tirassem das Suas palavras, mas o resultado de uma terrível cegueira produzida pela transgressão. 

    Que isto é assim é tornado muito claro no seguinte testemunho:  “‘Pecamos contra o Senhor,’ exclamaram; ‘nós subiremos e pelejaremos, conforme a tudo o que nos ordenou o Senhor nosso Deus.’ Deuteronómio 1:41.  Tão terrivelmente cegos ficaram eles pela transgressão. O Senhor nunca lhes mandara ‘subir e pelejar.’ Não era Seu propósito que adquirissem a terra pela guerra, mas pela obediência estrita aos Seus mandos.” Patriarcas e Profetas, 411. 

    Eles iam subir para lutar, é verdade, mas não como o Senhor lhes havia ordenado. Eles tinham chegado à conclusão que deviam subir e pelejar como o Senhor seu Deus lhes ordenara, apenas por causa de se tornarem "tão terrivelmente cegos pela transgressão” que não podiam compreender Deus correctamente quando Ele lhes falou. Apesar daquilo que lhes parecia serem as mais claras instruções do contrário, o Senhor nunca lhes ordenou que subissem e pelejassem.

    Nós devemos aprender através dos seus erros, porque, se eles entenderam mal as instruções do Senhor, assim podemos nós também compreendê-las mal. De facto, todo aquele que conclui pelas declarações divinas, das quais as citadas neste artigo são apenas exemplo, que Deus realmente lhes ordenou que subissem e lutassem, está desse modo mostrando a mesma cegueira espiritual que é produto da transgressão.

    Em nenhum momento o Senhor alguma vez ordenou ou ordenará ao Seu povo subir e lutar contra os seus inimigos com armas destruidoras. É completamente contrário ao Seu carácter fazer isso. Ele não é o destruidor na forma directa de Ele próprio o fazer, ou indirecta de o realizar através dos Seus agentes.

    Alguns argumentarão que a Bíblia não deve querer dizer o que diz, pois a linguagem é suficientemente clara. Quando ela diz que o Senhor lhes ordenou, como no caso do rei Saúl e dos Amalequitas, então quer dizer que ordens específicas com origem na mente de Deus foram dadas aos israelitas e que isso devia ser o ponto final da questão. Como pode então ser dito que Deus nunca ordenou que subissem e lutassem? Isto, argumentam, é totalmente contraditório.

    Aos que têm falta de percepção espiritual, é inegável, mas aos que foram libertados da cegueira que a transgressão traz à alma, não há conflito. Eles podem ver que o Senhor nunca ordenou aos israelitas que subissem e lutassem. O problema é resolvido com simplicidade pela aceitação do simples princípio que os caminhos de Deus não são os caminhos dos homens, como está declarado em Isaías 55:8, 9. Portanto, palavras que são usadas para descrever o comportamento de Deus têm um significado diferente para descrever o comportamento do homem. Este ponto foi tratado com profundidade em Eis Aqui o Vosso Deus.

    Quando os homens que estão no poder dão ordens outros homens, usam os meios ao seu dispor para os obrigar a obedecer. A sua única preocupação é que a sua posição e autoridade seja respeitada. Mas Deus é um Educador. As Suas ordens são advertências apontando ao Seu povo os melhores procedimentos a ser seguidos na situação em que se encontra.

    Como é provado em Eis Aqui o Vosso Deus, o Altíssimo nunca deu armas de guerra aos israelitas e nunca lhes apontou a obra de mortandade. Ao contrário de todos os caminhos em que Ele os estava a guiar e às lições que lhes estava a ensinar, eles tomaram as espadas e instituíram o sistema de conquistar que não era diferente dos pagãos à sua volta, tal como mais tarde, apesar dos veementes protestos do Senhor do contrário, eles exigiram um rei como aqueles que governavam as nações do mundo.

    “O Senhor nunca lhes mandara ‘subir e pelejar.’ Não era Seu propósito que adquirissem a terra pela guerra, mas pela obediência estrita aos Seus mandos.” Patriarcas e Profetas, 411. Esta obra que o Senhor nunca lhes deu, tomaram-na eles sobre si mesmos, assim impedindo Deus de fazer a obra em justiça. Tudo o que Deus podia fazer era adverti-los de como fazer a sua obra destruidora misericordiosa e rapidamente. Eles interpretaram isto como uma aprovação dos seus maus caminhos.

 

O DIVINO SUBSTITUTO

    Há um argumento que é tão convincente, poderoso e claro a respeito do carácter de Deus, que nenhum outro é realmente necessário. É a linha de medição pela qual todas as proibições podem ser testadas. É o argumento da cruz.

    Quando os nossos primeiros pais pecaram no Éden, colocaram-se a si mesmos onde a lei quebrantada exigia as suas vidas e nesse dia teria executado a penalidade se não fosse a imediata interposição de Cristo. O ponto vital é que para a Sua interposição ser eficaz, Cristo tinha que tomar o lugar exacto do homem e sofrer a punição que doutro modo teria destruído o pecador. Há muitos testemunhos que confirmam a veracidade desta verdade. “Sofreu a morte que nos cabia, para que recebêssemos a vida que a Ele pertencia. ‘Pelas Suas pisaduras fomos sarados.’” O Desejado de Todas as Nações, 23

    “No instante em que o homem aceitou as tentações de Satanás, e fez as mesmas coisas que Deus tinha dito que não fizesse, Cristo, o Filho de Deus, colocou-Se entre os vivos e os mortos, dizendo: ‘Que a punição caia sobre Mim. Eu ficarei no lugar do homem. Ele terá outra oportunidade. ’” The S.D.A. Bible Commentary 1:1085.

    “Toda a ofensa contra a lei de Deus, mesmo que ínfima, é levada em conta, e quando a espada da justiça for tomada na mão, fará a obra pelo impenitente transgressor que foi feita ao divino Sofredor. A justiça surgirá; pois o ódio de Deus ao pecado é intenso e esmagador.” The S.D.A. Bible Commentary , 3:1166.

    Não era apenas uma punição que devia cair sobre Cristo, mas a punição em que o homem tinha incorrido pela transgressão. Isto quer dizer que a única forma possível em que Deus podia ter tratado Cristo quando Ele tomou o lugar do culpado pecador era a forma pela qual Ele trata os próprios pecadores. Se o método de Deus fosse dirigir-se ao transgressor e administrar a sentença de morte, então este era o que Ele teria usado com o Seu Filho no Calvário.

Por outro lado, se é o método de Deus aceitar a retirada que o pecado exige e por isso deixar o pecador a perecer como resultado da sua própria iniquidade, então isso é o que Deus teria feito a Cristo no Calvário.

Por isso uma pessoa tem apenas que observar cuidadosamente aquilo que Deus fez no Calvário para saber como Ele tratará, com invariável consistência, o pecador. Por conseguinte, o que fez o Pai no Calvário? Foi Ele junto do Salvador com intenções destruidoras, ou retirou-Se e deixou-O sofrer as consequências do pecado? Foi Deus ou o pecado que tirou a vida a Cristo?

O próprio Cristo declara acerca do que aconteceu. "Deus Meu, Deus Meu, por que Me desamparaste? Por que Te alongas das palavras do meu bramido, e não me auxilias? "Deus Meu, Eu clamo de dia, porém Tu não Me ouves; de noite, e não tenho sossego." Salmo 22:1, 2. Vede também Mateus 27:46; Marcos 15:34.

Cristo não declarou que o Pai vinha contra Si como um vingativo destruidor, mas que Ele Se afastara de Si e que havia um terrível abismo de separação que parecia tão profundo e largo que Ele receava que fosse eterno.

“Durante toda a sua vida na Terra, andara à luz da presença de Deus. Quando em conflito com homens que eram inspirados pelo próprio espírito de Satanás, podia dizer: ‘Aquele que Me enviou está comigo; o Pai não Me tem deixado só, porque Eu faço sempre o que Lhe agrada.’ João 8:29. Agora, porém, parecia estar excluído da luz da mantenedora presença de Deus. Agora era contado com os transgressores. Devia suportar a culpa da humanidade caída. Sobre Ele, que não conheceu pecado algum, deve ser colocada a iniquidade de nós todos. O pecado parece-lhe tão terrível, tão grande o peso da culpa que deve levar sobre si, que é tentado a temer que ele O separe para sempre do amor do Pai. Sentindo quão terrível é a ira de Deus contra a transgressão, exclama: ‘A Minha alma está profundamente triste até à morte.’ “… Sentia que, por causa do pecado, estava a ser separado do Pai. O abismo era tão largo, tão negro, tão profundo, que o Seu espírito tremeu diante dele.” O Desejado de Todas as Nações, 745, 746.

Estes testemunhos tornam muito claro que Deus não veio contra Cristo como um destruidor, mas que num sentido muito real, o Pai estava muito afastado d'Ele. Foi este terrível sentido de separação de Deus o maior elemento nos sofrimentos de Cristo, como está escrito:

“O afastamento do semblante divino, do Salvador, nesta hora de suprema angústia, penetrou-Lhe o coração com uma dor que o homem nunca poderá compreender. Esta agonia era tão grande, que Ele mal sentia a dor física. “Satanás torturava o coração de Jesus com cruéis tentações. O Salvador não podia ver para além dos portais do sepulcro. A esperança não Lhe apresentava a Sua saída da sepultura como vencedor, nem Lhe falava da aceitação do Seu sacrifício por parte do Pai. Temia que o pecado fosse tão ofensivo a Deus, que a Sua separação tivesse de ser eterna. Jesus sentiu a angústia que o pecador há-de experimentar quando a misericórdia deixar de interceder pela raça culpada. Foi o sentimento do pecado, trazendo a ira divina sobre Ele como substituto do homem, que tornou tão amargo o cálice que Ele bebeu e angustiou o coração do Filho de Deus.” O Desejado de Todas as Nações, 817.

Não foi Deus mas o pecado que matou o Filho de Deus.

“Mas não foi o golpe da lança, não foi a dor da crucifixão, que produziu a morte de Jesus. Aquele grito proferido ‘com grande voz’ (Mateus 27:50; Lucas 23:46), no momento da morte, a corrente de sangue e água que Lhe fluiu do lado, demonstraram que Ele morreu pela ruptura do coração. O Seu coração foi quebrantado pela angústia mental. Foi morto pelo pecado do mundo.” O Desejado de Todas as Nações, 838, 839.

Tão seguramente como Deus não matou Cristo no Calvário, assim certamente também não destruirá qualquer pecador. Ele não podia fazer uma coisa ao Seu Filho unigénito e outra ao restante de nós. Nada haveria que Satanás mais rapidamente apontasse o seu dedo acusador, do que uma tal inconsistência.

Por estranho que possa parecer, o Pai estava longe e perto quando Cristo sofreu e morreu, como o testemunho a seguir confirma.

“Naquela densa escuridão ocultava-Se a presença de Deus. Ele faz da escuridão o Seu pavilhão, escondendo assim a Sua glória dos olhos humanos. Deus e os Seus santos anjos estavam ao pé da cruz. O Pai estava com o Seu Filho. A Sua presença, no entanto, não foi revelada. Se a Sua glória tivesse irrompido da nuvem, todo o espectador humano teria sido destruído. E naquela hora tremenda Jesus não devia ser confortado com a presença do Pai. Pisou sozinho o lagar, nenhum dos povos estava com Ele.” O Desejado de Todas as Nações, 818.

Esta separação e presença parece ser contraditória. Por um lado, o pecado que Cristo estava suportando enquanto permanecia no lugar onde o impenitente por fim estará, provocou o afastamento da presença de Deus. Cristo sentiu e testemunhou isto na expressão, “Deus Meu, Deus Meu, por que Me abandonaste?” Foi a Sua natureza humana mortal que transportou o pecado. A Sua natureza divina permanecia pura e sem mancha. Por isso havia um poder repelindo Deus e um que O atraía. Por isso o Pai estava separado da pecaminosa humanidade de Cristo, enquanto estava junto da Sua divindade sem pecado. 

A forma como o Pai Se relacionou com Cristo nesta hora de supremo sofrimento e morte confirma para sempre e veracidade das palavras: “Deus não fica em relação ao pecador como executor da sentença contra a transgressão; mas deixa entregues a si mesmos os que rejeitam a Sua misericórdia, para colherem aquilo que semearam. Cada raio de luz rejeitado, cada advertência desprezada ou desatendida, cada paixão contemporizada, cada transgressão da lei de Deus, é uma semente que é lançada, a qual produz infalível messe.” O Grande Conflito, 33

À medida que o tempo passa, a luz acerca do carácter de Deus aumenta cada vez mais em brilho e fulgor até que a obra estará finalmente terminada. Até agora temos apenas pálidos reflexos da verdade neste maravilhoso assunto. Muito mais está ainda para vir mesmo nesta vida, mas quando os portais do céu forem abertos, então com clara visão, ficaremos extasiados, à medida que brilho crescente do eterno coração do divino amor nos enche com indizível alegria, admiração e

 

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Artigo publicado na revista: The Messenger and News Review, em Dezembro de 1983